A Câmara dos Deputados aprovou a Medida Provisória (MP) 1.334/2026, que fixa o novo piso salarial dos professores da educação básica pública em R$ 5.130,63. O valor representa um reajuste de 5,4% em relação ao piso anterior (R$ 4.867,77).
Novo piso salarial dos professores. (Imagem: Estude Aqui)
Votada de forma simbólica e com apoio unânime dos partidos, a proposta segue agora para o plenário do Senado Federal. O Congresso corre contra o tempo: o texto precisa ser aprovado até o dia 1º de junho de 2026 para não perder a validade e virar lei definitiva.
O piso salarial é válido em todo o território nacional para os profissionais da rede pública de ensino (estadual e municipal) que utilizam recursos do Fundeb e complementações da União.
Jornada de Trabalho: O valor de R$ 5.130,63 é calculado com base em uma carga horária de 40 horas semanais. Para professores com contratos de menor duração, o pagamento será proporcional.
Inclusão de Temporários: A grande novidade do texto aprovado é a garantia expressa de que os professores temporários também têm direito ao piso integral, solucionando uma brecha jurídica que gerava dúvidas em diversos municípios e estados.
Impacto financeiro e ganho real acima da inflação
O reajuste de 5,4% garantiu um aumento real no poder de compra dos docentes. Se a regra anterior de cálculo estivesse em vigor, o aumento seria de apenas 0,37%, ficando bem abaixo da inflação de 3,9% registrada em 2025.
Cenário
Valor do Piso
Percentual de Reajuste
Ganho Real (Acima da Inflação)
Piso Anterior
R$ 4.867,77
–
–
Novo Piso (2026)
R$ 5.130,63
5,4%
~ 1,5 ponto percentual
O que muda no bolso: Para quem recebe o piso, o incremento é de R$ 262,86 brutos por mês, o que equivale a um ganho adicional superior a R$ 3.400,00 ao longo do ano (antes dos descontos).
Nova fórmula de reajuste e transparência
A MP altera a maneira como o piso será reajustado nos próximos anos. A nova regra determina que o aumento anual considerará a inflação do ano anterior somada a 50% da média de crescimento das receitas do Fundeb nos cinco anos anteriores.
Trava de segurança: O reajuste nunca poderá ser menor do que a inflação do ano anterior, garantindo que o salário não perca poder de compra. Por outro lado, há um teto: o aumento não pode superar a variação percentual da receita do Fundeb dos dois anos anteriores.
Fiscalização: Para evitar distorções, o Ministério da Educação (MEC) será obrigado a publicar anualmente a memória de cálculo detalhada em uma plataforma digital de dados abertos, permitindo a auditoria de sindicatos, professores e órgãos de controle.
O prazo limite: 1º de junho
O novo piso já está sendo pago de forma provisória desde janeiro deste ano por estados e municípios, já que a MP tem força de lei imediata ao ser publicada. No entanto, a aprovação do Senado é fundamental.
Se o texto não for votado até 1º de junho, a MP “caduca”. Caso isso aconteça, os governos locais não precisarão devolver o dinheiro pago desde janeiro, mas a nova fórmula de cálculo perde a validade, gerando insegurança jurídica sobre como serão os aumentos a partir de 2027.
O desafio da atratividade na carreira
O relatório do projeto, defendido pela senadora Professora Dorinha Seabra, alerta que o aumento é um passo importante, mas a carreira docente no Brasil ainda enfrenta graves problemas estruturais. Atualmente, os professores brasileiros ganham, em média, 47% menos do que a média dos países que compõem a OCDE.
Essa disparidade salarial com o mercado privado reflete o baixo interesse dos jovens pela profissão: apenas 2,4% dos estudantes brasileiros desejam seguir a docência, criando um risco iminente de apagão de professores qualificados no futuro, especialmente nas áreas de exatas.